2460 a.C. a 1860 a.C.
Sem
600 anos (jan 1, 2460 BC – jan 1, 1860 BC)
Description:
Sem, o filho mais velho de Noé, é tradicionalmente identificado como Melquisedeque, o Rei de Salém, em diversas interpretações judaicas e cristãs. Dom Jean de Monléon, em sua obra Histoire Sainte: Les Patriarches (Comentário histórico e místico sobre os relatos do Gênesis), enfatiza que essa identificação é amplamente apoiada pela tradição judaica. Ele afirma que "a tradição judaica é unânime neste ponto, e se aferra à opinião que considera indiscutível: Melquisedeque, aos seus olhos, não é outro senão Sem, o filho mais velho dos filhos de Noé" (Monléon, 2023, p. 62). Essa perspectiva é compartilhada por comentaristas judaicos medievais, como Rashi, que entendem que Sem era o herdeiro da bênção sacerdotal e representava a linhagem espiritual transmitida por Noé após o dilúvio.
Segundo Monléon, a identificação de Sem com Melquisedeque ressalta seu papel como sacerdote e rei, títulos que se alinham com as funções descritas em Gênesis 14:18-20, onde Melquisedeque abençoa Abraão e oferece pão e vinho. A tradição judaica vê Sem como um intermediário que preserva a fé monoteísta pós-diluviana, sendo ele mesmo abençoado por Noé em Gênesis 9:26-27. A realeza e o sacerdócio atribuídos a Sem/Melquisedeque reafirmam a continuidade dessa linhagem espiritual até Abraão, destacando sua importância na transmissão da fé ao povo escolhido.
Monléon ainda observa que a identificação de Sem como Melquisedeque é teologicamente significativa, pois conecta a tradição judaica diretamente ao sacerdócio eterno mencionado no Salmo 110:4, Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Essa tipologia relaciona Melquisedeque, enquanto figura sacerdotal, a Cristo na teologia do Novo Testamento (Hebreus 7). Assim, a tradição judeu-cristã interpreta Melquisedeque como uma personalidade histórica e espiritual unificadora, representando a linhagem sacerdotal desde os primórdios da humanidade.
Embora a Bíblia não apresente explicitamente essa conexão, outros textos e tradições complementares reforçam essa interpretação, como o Targum de Jerusalém e o Midrash Rabá, que reconhecem Sem como o sacerdote monoteísta de seu tempo. Essa visão também é coerente com o entendimento de realeza espiritual, demonstrando que Melquisedeque/Sem desempenhava um papel central em manter a aliança divina e preparar o caminho para a promessa abraâmica.
Essa identificação tem suas raízes em textos midráshicos e talmúdicos, como o Talmud Babilônico (Tratado Nedarim 32b) e o Pirke de-Rabbi Eliezer (capítulo XXIII), além de ser refletida em alguns Targumim (traduções aramaicas da Bíblia). O raciocínio por trás dessa associação reside na necessidade de explicar a origem e a autoridade sacerdotal de Melquisedeque, uma figura que surge de forma abrupta e desaparece da narrativa bíblica sem genealogia. Sem, por sua vez, é o ancestral patriarcal de Abraão e o único dos filhos de Noé a viver o suficiente para ser contemporâneo de Abraão, sendo considerado o guardião da linhagem monoteísta após o Dilúvio. A tradição rabínica postula que Melquisedeque, como sacerdote do "Deus Altíssimo", não poderia ser outro senão Sem, o mais velho e o mais justo dos patriarcas pós-diluvianos.
Apesar de ser uma visão predominante em partes da tradição judaica, ela não é universalmente aceita e é frequentemente contrastada com a interpretação cristã da Epístola aos Hebreus (Hebreus 7:3), que descreve Melquisedeque como "sem pai, sem mãe, sem genealogia; não tendo princípio de dias nem fim de vida", uma descrição que seria contraditória com a genealogia bem definida de Sem. Contudo, para os rabinos, a falta de menção de genealogia no texto de Gênesis para Melquisedeque era uma omissão intencional que permitia a inserção da figura de Sem, que, embora tivesse genealogia, era o único com a dignidade e longevidade necessárias para exercer tal sacerdócio. Assim, Dom de Monléon corretamente aponta para a tradição judaica como a fonte primária dessa união de identidades, que visa honrar Sem como o primeiro sacerdote e rei justo, transmitindo o sacerdócio a Abraão.
REFERÊNCIAS:
MONLEÓN, Dom Jean de (O. S. B.). História Santa: Comentário histórico e místico sobre os livros do Gênesis, do Êxodo e dos Números. Tradução Fabio Florence. 1ª ed. Campinas: Ecclesiae, v. 1, 2023, p. 62. Tradução de: Histoire Sainte - Les Patriarches: Commentaire historique et mystique sur les récits de la Genèse. Disponível em: https://pdfcoffee.com/qdownload/dom-monleon-histoire-saintepdf-pdf-free.html.
Jewish Encyclopedia. Melchizedek. Disponível em: https://www.jewishencyclopedia.com/articles/10602-melchizedek.
Bíblia Sagrada, Gênesis 14:18-20 e Epístola aos Hebreus 7:3.
Talmud Babilônico. Nedarim 32b.
Pirke de-Rabbi Eliezer. Capítulo XXIII.
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Date:
jan 1, 2460 BC
jan 1, 1860 BC
~ 600 years