sep 2, 1945 - Descolonização da África
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O marco inicial da crise enfrentada pelo sistema colonial africano teve origem no fim da II Guerra Mundial, quando os países envolvidos estimularam o sentimento de nacionalismo nascente na África, a fim de desestabilizar seus oponentes. No contexto da Guerra Fria, EUA e URSS apoiaram fortemente os movimentos emancipacionistas, buscando ampliar sua esfera de atuação e influência mundial.
O direito de autodeterminação dos povos, fortemente pregado pela Organização das Nações Unidas – ONU, organização surgida no pós-Segunda Guerra Mundial. A ONU, dentro do cenário internacional, acreditava que cada Estado deveria ter o direito de escolher sua forma de governo, pressionando cada vez mais os países formalmente colonialistas a desistir de suas administrações extraterritoriais.
Por fim, pode-se afirmar que a descolonização da África, entre 1950 e 1970, foi tão maléfica quanto a sua colonização. Muitos países acabaram em ditaduras, estabelecidas pelo uso da força, e não pelo voto, ou em sangrentas guerras civis, envolvendo clãs e etnias rivais que lutam para tomar o poder local ou retomar seus antigos territórios, dando origem a sistemas políticos que não se sustentam sozinhos.
Assim, a instabilidade do continente é uma herança do caótico processo de colonização e descolonização, além dos séculos de escravidão que fragilizaram a população. Muitos dos conflitos africanos se arrastam há anos sem perspectiva de se obter a paz, como as guerras civis que devastam a Nigéria, o Sudão e a Somália. Segundo Linhares (2008), o processo de descolonização não está concluído até os dias atuais, pois ainda está incompleta a autodeterminação e o bem-estar dos povos africanos.
Marcos importantes:
• Conferência de Berlim (1885): divisão artificial da África entre potências europeias, ignorando fronteiras étnicas, sociais e culturais.
• Pós-1945: movimentos nacionalistas africanos se fortalecem; emergência de uma elite letrada; apoio externo dos blocos da Guerra Fria.
• Panafricanismo: buscava a unidade continental contra o colonialismo; teve papel importante na fundação da Organização da Unidade Africana (1963).
Consequências:
• Violência no processo de transição;
• Ditaduras instauradas em nome da estabilidade;
• Herança da colonização perpetuada nas novas elites;
• Guerras civis em países como Nigéria, Sudão e Somália.
Problemas estruturais herdados:
• Fronteiras artificiais: mantidas após a independência, favoreceram conflitos étnicos e separatistas;
• Infraestrutura deficiente: legada pela exploração colonial;
• Fuga de cérebros: elites locais (3% da população) assumiram o poder, sem preparo técnico ou político;
• Exploração econômica persistente: neocolonialismo;
• Crise urbana e social: urbanização desordenada e desequilíbrio rural.
- Novas organizações políticas baseadas na cultura ocidental e não na realidade africana;
- Forte urbanização, gerando um desequilíbrio entre a população rural e a urbana, ocasionando desabastecimento e fome;
- Sistemas de saúde e de saneamento básico deficientes e sem investimentos;
- Estagnação financeira e econômica decorrentes das instabilidades internas;
- Continuação da exploração econômica por parte dos antigos colonizadores.
Exemplos de conflitos:
• Congo (1960): independência liderada por Patrice Lumumba e Joseph Kasavubu; fragmentação étnica e guerra civil.
• Sudão e Somália: instabilidade permanente e guerras civis.
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